Ana Paula Ramos
Interatividade, internet, comunicação personalizada. Esses são alguns termos que estão na ponta da língua dos profissionais que lidam com o futuro dos meios de comunicação. Pensar em uma linha diferente estagnaria o desenvolvimento da mídia ou mesmo retrocederia os recursos já oferecidos por ela.
Após o estouro da internet e a decorrente possibilidade de transmissão de dados e informações via satélite em tempo real, a digitalização da imagem e outros avanços que hoje interligam o mundo, qual seria o próximo passo para o desenvolvimento? Isso mesmo, a possibilidade de interagir com este mundo não só por meio da internet, mas de todos os sistemas de comunicação existentes.
Lendo um pouco sobre a interatividade, um tema muito debatido, complexo e cheio de conceitos diferentes, alguns autores frisam a necessidade de deixar claro o sentido do termo para falar sobre o assunto. Nada melhor do que incluir neste artigo algumas definições para facilitar a compreensão.
Falo da complexidade da interação, pois existem abordagens que podem ser feitas a este respeito. Na sociedade existem vários tipos de interação e a física explica que um simples olhar em observação tem influência sobre um acontecimento, ou seja, interage com ele.
A interatividade, de acordo com alguns estudiosos do assunto, pode se dividir em dois níveis: a interação técnica tipo analógico-mecânico como, por exemplo, o ato de digitarmos algo na tela ou teclado de computador, e a interação técnica tipo eletrônico digital, em que o receptor pode interagir não apenas com o objeto, mas com a informação.
Abordar o futuro da interatividade na mídia requer uma análise da interação técnica tipo eletrônico digital, ou seja, como as pessoas vão interagir não apenas com os equipamentos tecnológicos, mas com a informação passada pelos meios de comunicação.
Os meios de comunicação tendem a alcançar o mais alto índice de interatividade que temos conhecimento - a internet com seus links ou hipertextos. Pode ser que nada de muito diferente aconteça com os meios de comunicação, pois a tecnologia no nível que chegou busca apenas aperfeiçoar o que já existe.
Delimitações
Nesta era das mídias digitais e da tecnologia em rede, tudo acaba sendo confundido com interatividade. Tudo se tornou interativo, mas não é bem assim. É preciso cuidar com as delimitações do termo. A mídia valorizou de tal forma esta "palavrinha", que acabou banalizando-a e criando uma confusão de significados. Quase todos os produtos propagandeados passaram a ser "interativos".
Podemos relacionar a interatividade com a quantidade que um usuário pode participar ou influenciar na modificação imediata da forma, do conteúdo e de um ambiente computacional. Ela está baseada no estímulo encontrado no livro, jornal e TVs abertas que ainda são poucos utilizados. Já a internet, teleconferência e no videogame possuem alta interatividade.
A TV hoje só permite maior interação com a máquina, mas não com o conteúdo das transmissões. Mesmo os programas Você Decide ou Intercine, transmitidos há algum tempo pela Rede Globo, em que o telespectador podia escolher o final da história ou filme que gostaria de assistir no dia seguinte, limitava a duas ou três opções determinadas.
Esta é uma fase que se encaminha para um estágio intermediário entre a TV unidirecional e a interativa. Os programas citados da Rede Globo aos poucos educam os telespectadores a uma nova realidade: a possibilidade de interagirem com um programa de TV.
O Fantástico e alguns telejornais também começam a implantar este novo sistema em seus programas. São feitas pesquisas de opiniões instantâneas durante o programa, fazendo com que as pessoas participem. Da mesma forma, os reality shows começam a trabalhar com esta tendência deixando nas mãos dos espectadores quem continuará participando do programa. A interatividade, porém, ainda é limitada.
Revolução comportamental
Os novos meios de comunicação levaram a sociedade a uma revolução comportamental. Em poucos anos, a TV digital, que nada mais é do que a união do aparelho de TV com a informática, tornará o telespectador parte fundamental do processo de comunicação de forma ativa, e não passiva como ainda vemos atualmente.
O sistema vertical de transmissão será invertido, pois cada casa será um transmissor em potencial. Diferentemente da TV atual, essa união com a informática permitirá não apenas receber sinais, mas também enviá-los. A partir desta transformação nascem os canais pessoais. As idéias de qualquer pessoa poderão ser transmitidas para o resto do mundo, o mesmo que acontece na internet nos sites pessoais.
Essa grande mudança vem ligada ao progresso tecnológico. A verdadeira TV interativa só existirá com o desenvolvimento de novas tecnologias que tenham a capacidade de transmitir uma quantidade maior de dados por segundo.
Atualmente, desenvolve-se o sistema de telas sensíveis ao toque que passarão para um sistema de reconhecimento de voz. Os avanços tecnológicos não param; alguns especialistas querem também criar um chip de odor para que o computador libere aromas. Depois disso, quem sabe, o computador comece a sentir frio, rir, chorar e trocar umas idéias com o dono! Parece inacreditável, mas a tecnologia tornará as máquinas humanizadas.
Será que é tudo bom e surpreendente o que a comunicação precisa alcançar? As tendências da comunicação são um pouco assustadoras se observarmos que para todo um sistema sobreviver em harmonia é necessário haver regulamentos e respeitá-los. Na nova mídia interativa não haverá espaço para censura, críticas ou imites. Suas vantagens a partir desta análise são altamente questionáveis.
http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/debate/dquartedicao/debate05.htm
terça-feira, 11 de maio de 2010
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Gostei muito do texto achei bastante pertinente, por isso estou deixando algumas ocnsiderações. A partir da interação dos alunos nas comunidades virtuais os mesmos são instigados através do diálogo, que pode ocorrer de diversas formas tanto através de textos como através de vídeos,há busca de conhecimento sendo que a aquisição do conhecimento ocorre através da interação de pessoas de todo o mundo. Contudo nao podemos deixar de considerar que não é somente a máquina que está por trás disso e sim um ser humano que busca interagir e se completar através das diiferentes relações.
ResponderExcluirOlá!
ResponderExcluirNa interação as pesoas envolvidas estão sujeitas ao diálogo. Logo, o diálogo é extremamente importante na construção do conhecimento. Através das interações sociais as pessoas constroem e reconstroem conhecimentos e tornam suas aprendizagens realmente significativas.
Bom creio, que sem interatividade não se aprende e que o processo do dialogo faz parte e é essencialmente indispensavel nesse process.
ResponderExcluirMas para tudo necessitamos desses dois fatores importantes, o dialogo e a maquina na interação entre os demais.
Bem legal o texto.